A culpa é dos militares, esses excelentes brasileiros e péssimos administradores.


A culpa é dos militares, esses excelentes brasileiros e péssimos administradores. 

 Ingressei na Marinha em 1974, no saudoso Colégio Naval. Tive um sogro que ingressou na mesma carreira em 1924 na Escola Naval da Ilha das Enxadas (não havia Villegagnon!). Logo, a diferença entre mim e ele era de 50 anos.


Eu fui para reserva como Capitão-de-Mar-e-Guerra (Coronel full!), ele também. Eu possuo a salário e o posto exatamente como na ativa. Ele possuía (já falecido!) o salário e o posto de Vice-Almirante. O meu contracheque (holerite!) era quase metade do dele.

Vejam como os heróis fardados perderam direitos em meio século. E a culpa é deles. Aos argumentos...

Em 1964, os militares, com o apoio do Congresso Nacional, evitaram um golpe de Estado, embora todos queiram dizer o oposto. Castelo Branco, eleito pelo Parlamento nos mesmos moldes de Tancredo Neves em 1985, assumiu a Presidência da República. Ocorre que Castelo começou a sofrer fortes pressões, oriundas do próprio Exército. Assim, em autofagia, extinguiu a vitaliciedade dos oficiais generais. Hoje, um oficial de quatro estrelas pode ir para casa com uma canetada. Antes, não.

Em 1979, Golbery do Couto e Silva, ao gerir uma reforma partidária e temeroso da volta de Leonel Brizola, deu espaço para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, uma cara de nove dedos. Pronto, estava fundado o Partido dos Trabalhadores. O ovo da serpente!

Em 1987, na constituinte que antecedeu a Carta de 1988, os militares foram ferrenhamente contra a sindicalização da classe. Hoje, não possuem nenhuma representação. E que não se diga dos clubes, pois em nenhum deles há cláusula estatutária que permita provocar o Poder Judiciário em nome dos castrenses.

Em 1991, Fernando Collor estava caindo. Como um náufrago, agarrava-se a qualquer tábua. Ele contava com os militares, pois eram os únicos a não agredi-lo. Pois bem, os homens de farda resolveram alterar a lei de remuneração. Qualquer papel nesse sentido que fosse colocado na mesa do presidente decadente ele assinaria de olhos fechados. Por Zeus, Sócrates! O impossível foi feito. Com carta branca para fazer uma nova ordenação, hora de “enfiar o pé na jaca”, os milicos fizeram algo pior do que o outrora existente. Inacreditável!

Em 1999, os militares permitiram que Fernando Henrique criasse o Ministério da Defesa, colocando os chefes fardados em segundo escalão. Durante bom tempo, nem mesmo no desfile do Sete de Setembro os comandantes frequentavam o palanque presidencial.

Em 2000, uma Medida Provisória editada por FHC, totalmente inconstitucional, decepou vários direitos adquiridos dos militares. E, pior, os próprios fardados ajudaram a lavrar o decreto suicida.

Em 2012, os militares assistiram passivamente a terrorista Dilma Rousseff instaurar a Comissão da Verdade, um tribunal de exceção exclusivo para atingir a dignidade das Forças Armadas. Reputações de grandes chefes foram jogadas ao mar, sem que ninguém, oficialmente, tentasse trancar aquela inquisição pelas vias legais. Nessas horas, recordo-me do Hino da Escola Naval ao dizer "Na força do direito ou do canhão".

Bom, deve estar faltado algo. O certo é que uma classe formada por homens honestos e ilibados. Os únicos que fizeram algo de bom para o país, não fizeram o mesmo internamente. Os militares combateram os comunista. Guerrearam contra aqueles canalhas pelas armas, até que pedissem para parar, implorando por uma falsa anistia. Todavia, as Forças Armadas não se impuseram no campo social, político e, principalmente, midiático.

Há pouco tempo militares da reserva divulgaram um manifesto indicando “enérgico repúdio” ao STF. E daí? Você leu? Nem eu... A mídia nem noticiou a insatisfação dos veteranos. Se quiser ler, clique aqui. Eu não li.

Agora, se houvesse um forte sindicato, poder-se-ia utilizar o mandado de injunção, vale dizer, um remédio constitucional destinado a sanar a ausência, total ou parcial, de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (artigo 2° da Lei 13.300/2016 e artigo 5°, LXXI, da Constituição). Em outros termos, trata-se de garantia destinada ao controle de omissões do poder público que visa à tutela de direitos constitucionais subjetivos cujo exercício é inviabilizado pela inércia legislativa.

Assim, os militares apontariam armas jurídicas, legais e constitucionais contra o próprio Supremo Tribunal Federal, o que causaria um forte impacto, principalmente, se utilizassem corretamente os órgão de manipulação de opiniões, como os comunistas fazem com maestria.

Agora, convenhamos, um sujeito ficar dizendo que vai colocar soldados e cabos no STF é coisa de insano. As armas terrestres, as navais e as aerotransportadas existem como meios de ferir os fora de casa. Nunca os de dentro.

No entanto, algo é certo. O STF está ignorando a Constituição. O Supremo angariou o certo e o errado para si. Atropelou o Pode Executivo. E isso se combate com os freios e contrapesos republicanos. E isso funcionaria, se as Organizações Globo não estivessem tão empenhadas em derrubar o Presidente.

Honestidade atrapalha. O Brasil não está acostumado com isso. Probidade na Globo dói. Sangra!

Em tempo: a Globo está implorando, pedindo, rastejando para ser demandada por danos morais às Forças Armadas. Mas, quem o fará?

Eu estou velho...



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